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Fotos dos falecidos

Um costume pouco conhecido, que existia entre os descendentes de alemães no Brasil, e que não era um hábito comum na Alemanha, era fazer fotografia dos falecidos. Não podemos esquecer que o Brasil é um país de proporções continentais e que a maioria das cidades para a época, ficavam muito distantes umas das outras. Muitas famílias emigraram para as novas colônias na fronteira do Rio Grande do Sul com a Argentina, para Santa Catarina, Paraná, e também, para países vizinhos como Argentina e Paraguai. Alguns descendentes de alemães, jamais viriam novamente seus pais, irmãos, sobrinhos.

Muitos hábitos caíram em desuso sendo que um deles era o uso de uma fita preta na lapela do terno dos homens por um determinado tempo. As mulheres usavam roupas escuras e muitas vezes, devido ao luto, chegavam a casar de preto quando um parente muito próximo falecia. O luto, que consistia em vestir somente roupas escuras quando um parente próximo falecia, durava um ano. Outro hábito pouco conhecido nos dias de hoje, era o envio de uma carta aos parentes distantes, que continha uma faixa escura, ou era ladeada por uma faixa preta. Quando alguém no interior recebia uma carta com uma faixa preta, já sabia que a notícia que chegava era do falecimento de algum parente ou amigo, como atestam as imagens abaixo:



À esquerda uma carta enviada de Joaneta, Picada Café, para Cerro Largo, notificando o falecimento de uma parente. À direita, uma carta também em sinal de luto, de agradecimento a todos que compareceram Ao velório e enterro do falecido.

Também as fotografias a seguir mostram o hábito de assinalar o luto:


À esquerda Francisco Kandler de Santa Rosa e a direita dois senhores não identificados, do município de Arroio do Meio, todos na década de 1930, sempre usando na lapela do casaco, a faixa preta, identificando o luto pelo falecimento de algum familiar


Outro hábito era fotografar o parente no caixão, para ter uma última recordação do falecido, e enviar a fotografia aos familiares mais próximos. Não era algo tão comum, porém dificilmente, no interior, famílias não tinham fotografias assim. Em oito anos de pesquisas encontrei cerca de 35 fotografias sobre esse tema. Nos dias de hoje, essas fotos também não são preservadas ou divulgadas. Muitas famílias se desfizeram de fotos de seus parentes sendo velados, porém, elas representam uma parte da história, conhecida atualmente por poucos. As fotos a seguir atestam tal hábito:


Nas foto tirada no começo do século passado, um senhor falecido no município de Harmonia, no Vale do Caí


Na foto a jovem Lídia Kandler Werber que faleceu depois do parto, em Pinhal Alto, no interior do município de Nova Petrópolis na década de 1940


No final do século XIX e começo do século XX, outro hábito das famílias era entregar um "santinho", com informações sobre o falecido e pedidos de orações pela sua alma. Nas primeiras décadas eles eram escritos em alemão gótico, já nas décadas de 1920 e 1930 contavam com uma fotografia do falecido. Após a época da guerra eles eram escritos ainda em alemão, porém não mais em letra gótica, com o passar dos anos os santinhos eram escritos em português e depois da década de 1970 esse costume também deixou de ser praticado.


Nas páginas a seguir são reproduzidos os "santinhos", que assinalam tal costume:



Modelo de santinho impresso na década de 1930. Distribuído aos familiares e amigos do falecido João Arthur Weissheimer de Bom Princípio, já era impresso com imagem.


À esquerda santinho da lembrança de falecimento do pároco Herz de Bom Princípio, escrito em alemão gótico no ano de 1941. À direita o santinho do casal Nedel, no pós-guerra já eram escritos em letra latina ou até em português.


Verso de duas lembranças de falecimento da década de 1930