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Os Brummer

D. Pedro II contrataria em 1851 os Brummer, 1.800 soldados de origem alemã, para lutar em um conflito que o Brasil tinha contra a Argentina do ditador Rosas. O conflito que se tornou muito mais diplomático, acabou terminando pouco antes da chegada dos Brummer, sendo que metade deles retornou mais tarde para a Alemanha. E a outra metade se dividiu pelo Estado. Sobre esses soldados muito foi escrito a respeito, sendo boas fontes de pesquisa as biografias de três deles, duas publicadas pela historiadora Hilda Hübner Flores e a de Franz Adolph Jaeger publicada no livro Nós os Teuto-Gaúchos.

Jaeger relata um pouco da viagem dos Brummer ao Brasil em sua auto-biografia:

"Enchi-me de novas e belas esperanças principalmente quando, depois de alguns dias, o número estava completo e o navio "Heinrich", um três mastros nos embarcou e no dia 13 de junho de 1851, no dia da festa de Santo Antônio de Pádua, ingressou no mar do Norte. Adeus Alemanha!, Adeus Europa! No nosso navio também se encontrava o senhor Carlos Jansen, assim como Carl Von Koseritz, também o senhor Lentnant Carl Caertner".

"Depois de Kuschafen atravessamos com rapidez o mar do Norte. Atravessamos com o tempo bom o estreito canal e a Europa desapareceu de nossos olhos, até que, em alto mar, avistamos a Ilha da Madeira, a qual deixamos à esquerda... Os soldados ocuparam seu tempo com jogos de carta, alguns conversaram, outros contavam ou liam ou observavam o percurso do navio; um dia o nosso primeiro cobrador de impostos pegou um enorme delfim mas cuja a carne era quase intragável. Seu corpo era do tamanho de um cavalo gordo. Pelos lados, tínhamos a linha mediana do Equador, passavam por nós e se aproximaram com vento forte bem lentamente as costas do Brasil... Lentamente nos aproximamos do Brasil, e finalmente depois de uma viagem marítima que durou 9 semanas, chegamos ao Porto do Rio de Janeiro no dia 24 de agosto".


O nome Brummer deriva da palavra alemã que utilizavam para caracterizar o som produzido pelas moedas de cobre, com as quais os soldados recebiam seu soldo, quando arremessadas ao solo, segundo a explicação do Dr. Martin Dreher. Segundo Dreher: "Enquanto a imigração alemã no Rio Grande do Sul, até 1845, foi marcada, preponderantemente, por agricultores e artesões, a leva de mais de 1800 pessoas, formada pelos Brummer, tinha alto nível colonial, boa formação, princípios filosóficos e políticos liberais e, em sua maior parte, eram protestantes". E continua seu relato:

"Nas picadas e cidades onde se instalaram, tornaram-se representantes e reivindicadores dos direitos dos imigrantes e de seus descendentes. Pode-se afirmar, com certeza, que, ao lado de sacerdotes jesuítas e pastores luteranos, formaram a liderança da cultura, da economia e da política entre alemães e descendentes. Alguns deles também se tornaram lideranças religiosas ao serem eleitos pastores em comunidades luteranas, pois as igrejas de origem desses cristãos não os forneciam".

Aqui os Brummer se tornaram professores, jornalistas, políticos, empresários, colonizadores e pastores. Entre eles foram muito conhecidos os nomes de Wilhelm Bartholomay, Friedrich Hänsel, Wilhelm ten Brüggen, Franz Adolph Jaeger, Karl von Kahlden e Karl von Koseritz. Um Brummer pouco retratado nos livros de Historia é Heinrich Harry Roehe.


Wilhelm Bartholomay (1839-1888) diretor da colônia de Nova Petrópolis


Heinrich Harry Roehe nasceu em 1821 em Rendsburg, norte da Alemanha na época em que a região pertencia à Dinamarca. Era filho do pastor luterano Thomas Roehe e de Ina Harrie. Heinrich teve uma brilhante educação, além da formação para o ensino, era músico, tendo estudado violino. Roehe veio para o Brasil em 1851 com os Brummer, mas não chegou a lutar. Foi para Dois Irmãos, onde se tornou o primeiro professor público da comunidade. Na década de 1860, também se tornaria juiz de paz e um líder da comunidade. Roehe se casou no Brasil com uma católica, mudou de religião e depois do falecimento desta, com quem teve um filho, casou novamente e teve mais sete filhos. Faleceu em 1893, em Dois Irmãos.


Heinrich Harry Roehe com sua segunda esposa, Bárbara Doehren, seu filho do primeiro casamento, Henrique (à esquerda), Harry e Emma Roehe. Em 1868 na capital, Porto Alegre.





O professor e violinista Heinrich Harry Roehe,
em Dois Irmãos por volta de 1870