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As noivas de preto

Poucas pessoas conhecem sobre os hábitos de gerações passadas e ainda menos pessoas conhecem o porquê desses hábitos. Tais como, o fato de as noivas de origem alemã que casassem com vestido preto. Isto ainda era feito até o começo do século XX, e ainda era comum, ao menos entre os mais pobres e, em determinadas regiões, o uso do vestido preto, sendo o branco, no máximo, o véu sobre a cabeça. Em Nova Petrópolis até o começo da década de 1930 muitas moças ainda casavam usando o preto.

A explicação de muitas pessoas é que pelas dificuldades financeiras, já na Alemanha, os ancestrais casavam assim, pois um vestido branco não poderia ser usado tantas vezes quanto o preto; e devido à pobreza, o vestido do casamento seria usado pela noiva ainda por muito tempo após o casamento.

As fotos a seguir atestam esse hábito peculiar das noivas de preto:

Casais fotografados na década de 1860

Fotografias de casamento feitas na década de 1870


Na verdade, a correta explicação, conhecida por poucos, remonta à Idade Média, pois, naquela época, a maioria das pessoas eram empregadas em terras dos senhores feudais, os chamados vassalos que trabalhavam praticamente como escravos dos nobres. Nos feudos, principalmente do leste europeu, existia o direito à primeira noite, "ius prima nox", vulgarmente conhecido como direito de pernada. O nobre senhor feudal tinha o direito de dormir com a noiva de seu vassalo, pela primeira vez, antes do casamento. Assim, as mulheres casavam de preto, uma forma de luto pela atitude dos senhores feudais, em voga durante aquela época.

Quando os alemães chegaram ao sul do Brasil, o feudalismo não mais existia, mas havia na Alemanha muita pobreza e alguns locais, sobretudo na Prússia Oriental, ainda apresentavam sinais de um feudalismo recém desmantelado. Porém, o que era um sinal de luto, se manteve como tradição, tanto aqui, quanto na Alemanha.

As fotos a seguir mostram a permanência do hábito das noivas de preto, já com os véus brancos nas cabeças:

Reinaldo Kieling e Adolfina Boll de Santa Maria do Herval por volta de 1900. À direita casal de sobrenome Heck em Lajeado no começo do século XX

À esquerda Jacob Feiten e Irma Boll e à direita Balduíno Feiten e Rosalina Boll, casais do município de Dois Irmãos nos idos de 1900