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Da Época da fundação de Wallachei

Da Época da fundação de Wallachei
Dois Irmãos - Picada Wallachei

Com interesse eu li no Skt.Paulusblatt o discurso festivo do Pe. Rambo SJ. no Clube de Ginástica. É verdade, quem é que não teria pensado especialmente nos seus ancestrais no dia 25 de julho? Também aqui em Wallachei não foram esquecidos seus valentes heróis. O 1º habitante daqui foi Mathias Mombach, meu bisavô pelo lado materno. Minha mãe não soube informar em que ano ele veio com sua família, sua esposa e seus 5 filhos. Então me disse um morador antigo, senhor Reinheimer, que ele leu a data de 1843 na velha casa que existe ainda hoje seu genro Emílio Becker que a achou gravada numa tabuinha na parede. Assim faz exatamente 108 anos que existe Wallachei. Daí se deriva também o nome Wallachei. Mathias Mombach, era oriundo de Elsass - Lothringen, foi oficial imperial francês e súdito de Napoleão I. Por sua valentia mereceu a cruz de ferro. Participou também da guerra contra a Rússia. Na batalha de Waterloo foi ferido na perna por um estilhaço de granada, o que lhe causou mais tarde ainda muitas dores. Isso foi no ano de 1815, 18 de julho. Napoleão fugiu em sua carruagem, mas foi alcançado a noite em Genappe por cavaleiros prussianos, teve tempo apenas para saltar do carro e apanhar seu chapéu e sua espada e saltar num cavalo e continuar a fuga. Morreu como prisioneiro nos rochedos da Ilha de Santa Helena, em 1821. Mathias Mombach veio a chamado de Dom Pedro I para o Brasil. Construiu-se uma casa de madeira sólida - já que não faltava madeira, e cercou-a com estacada para protegê-la dos bugres e outros ataques. Depois dele vieram outros imigrantes: Dessane, Bökel, Morgenstern, Schmitz e outros mais. É possível imaginar como foi difícil o começo para os primeiros moradores. Ao redor, mata virgem, animais selvagens, cobras venenosas, bugres, etc. De todos os lados havia perigos e ameaças de morte. Com coragem e confiança em Deus os imigrantes iniciaram seu trabalho, meteram as mãos na mata-virgem e começaram a lavrar o chão virgem. Seu trabalho foi coroado com êxito e começou também a luta contra os bugres selvagens que não se deixavam afugentar. Fiquei sabendo que os selvagens só ousaram atacar a casa de meu bisavô. Com valentia se defendia o herói com seus filhos e dava tiros através dos buracos preparados para isso nos cantos da casa. Nove mortos cobriam o chão, os demais selvagens fugiram apavorados, novamente para o mato. É que temiam tanto o grande homem com a barba comprida e os olhos azuis, que transferiram seu acampamento para outro lugar. Quando Mathias Mombach farejava os bugres próximos, soprava na sua guampa e uns 20 cachorros que ele possuía começavam a uivar ao mesmo tempo e os bugres deitavam a fugir. Os bugres teriam matado algumas pessoas. Deviam ser austríacos. Foram enterrados num pequeno cemitério. Então surgiu a revolta contra o Menino Diabo. O que a pobre gente sofreu e como se zombou deles. E novamente foi Mathias Mombach que comandou o povo e trouxe o Menino Diabo preso, ferido numa perna, colocado no seu cavalo branco, para Baumschneiss (Dois Irmãos) onde ele teve um fim miserável. Mathias Mombach viveu 93 anos, minha mãe conheceu-o muito bem, mas meu bisavô já havia partido para a eternidade. O últimos anos da vida de M. Mombach passou-os com seu filho Schang (João) em Dois Irmãos. Lá no cemitério repousa ele, o herói, no seu uniforme e sua Cruz de Ferro. Honra à sua memória! Esta é a história da antiga Wallachei, espero que agrade os leitores. Viúva Maria Theresia Henrich.