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O diário dos Hennemann

Histórico dos Hennemann


Carlos Hennemann nasceu em Dois Irmãos, era casado com Catharina Boll com quem teve sete filhos. O casal morava em Schwabenschneiss (Travessão, interior de Dois Irmãos). Na época de Hennemann, eram os comerciantes as pessoas que tinham mais posses. Carlos era uma exceção, pois, como agricultor era um dos homens mais ricos do município de Dois Irmãos. Para se ter uma idéia do poder financeiro de Carlos, em 1906, Hennemann foi para a Alemanha para fazer cirurgia de catarata em München, na Baviera. O filho Vicente o acompanhou e escreveu um diário de viagem em alemão gótico. O diário foi traduzido por descendentes. Alguns trechos trazem detalhes interessantes da sociedade da época.

Para tornar a leitura mais agradável, optei por não publicar essa tradução "ao pé da letra", então, várias palavras foram modificadas ou trocadas por sinônimos, tendo o cuidado para que o sentido e as idéias do autor permanecessem com o mesmo sentido. A viagem começou em 24 de julho de 1906. Não se sabe o porquê, o autor deixou o diário inacabado em 9 de dezembro de 1906. Segue abaixo da fotografia de Hennemann, o primeiro relato de Vicente e a continuação do diário de viagem:

O diário dos Hennemann


Hoje fomos a Porto Alegre e ficamos até dia 30. À noite sempre tive boa companhia no Hotel Becker. Estiveram conosco H. Hennemann, Jacob Philippsen e um padre secular (Bomp) de Venâncio Aires. Ríamos tanto, que corriam as lágrimas. Padre Bomp nos dava sempre charutos, 5 para cada um a 300 réis. Quem não sabia que ele era padre, não acreditava se a gente lhes dizia depois.

Assim foi com Jacob Philippsen. Eu e ele fomos passear à noite, até às 11 horas. Albino Spohr também estava conosco, comungamos na capela São José e estivemos na Santa Casa. Uma vez almoçamos na casa de João Kieling. No dia 28 havia tantos gafanhotos aqui em Porto Alegre que não se via mais o céu; eram recebidos a dinamite (sic); as lajes estavam cheias e eram pisoteados. No hotel havia um homem (Bischof) com sua filha. Ele sempre queria que eu fosse passear com eles.

Saída de Porto Alegre, a 30 de julho às 2 horas da tarde. Logo serviram refeição no vapor Vênus como se fosse casamento no hotel mais luxuoso. Até onde se enxergava no mar, voavam os gafanhotos. Às 5 horas da tarde, vi uma grande andorinha do mar. O navio era iluminado eletricamente. À noite, após a janta, ficávamos ainda no bar e após íamos dormir em finas camas. 31 de julho.

De manhã, perto de Pelotas havia tanta cerração que o navio parou para não bater com outros barcos. Perto de Pelotas vi passar um grande bando de papagaios. Chegados a Pelotas (às 11h30min) vi um cavalo nadando no mar bem para dentro. Partida às 2 horas da tarde. Em São José do Norte passamos às 4h30min da tarde. Às 5h10min chegamos a Rio Grande.

Primeiro de agosto: Às 12 horas entrei para Rio Grande com uma canoa e fui ao correio; até agora foi tudo muito bem. 2 de agosto: de manhã às 6 horas partimos de Rio Grande. Logo veio o vento forte, as ondas altas; o barco balançava bastante. Às 8 horas, o barco ficou encalhado na Barra. Às 4 horas, vinha e ia o Orion e gozavam com nossa cara porque não conseguíamos sair da Barra. Às 5 horas, saímos de lá. Às 6 horas, o navio andava como um bercinho, de modo que a gente tinha que se segurar. À noite, o pai já estava com enjôo. Eu também já andei cambaleando um pouco.

3 de agosto: De manhã, me senti tão mal; eu suava; às 8 horas já "saía por cima", vomitava. Às 8 da noite, o navio passou por uma cidade em Santa Catarina, que é rodeada por altos morros. 4 de agosto: Partida de Santa Catarina às 13 horas. Este Estado tem muitas ilhas. À noite, eu dançava no convés de tanta alegria; ia passear com um tal de Sampaio de Porto Alegre. Havia também um português que havia tomado bastante e chamou o camareiro, ficou na frente dele, mexia na gravata como que se espelhando na careca do camareiro.

5 de agosto: À Paranaguá chegamos de manhã, às 6 horas. Pela esquerda e pela direita passavam barcos que eram recebidos com fogos. Paranaguá é uma vila. Antonina está a uma hora de distância. Lá tem morros tão íngremes que quase atingem o sol. Durante à noite, afogou-se uma pessoa ao lado do nosso navio. Ninguém sabia como ela caiu da canoa. 6 de agosto: Levantamos às 8 horas da manhã. Mudamos a primeira camisa branca. Às 2 horas, voltamos de Antonina para Paranaguá e as 4h30min da tarde daqui para Santos.

7 de agosto: Chegamos de manhã às 7 horas. Cidade bonita! mas que gente! A gente tinha que ter sempre a mão no dinheiro! Do navio, fomos com a bagagem para a Alfândega. O funcionário remexeu tudo. Daí fomos num hotel suíço. O carreteiro pediu 15 mil réis para levar nossa bagagem até lá e eram só 15 minutos; xingando ele fez por 6 mil. Em Santos, é muito bonito; um grande e bonito porto marítimo; mais ou menos 25 grandes navios estavam ancorados lá. Uma bela e grande cidade, mais bela que Porto Alegre.

8 de agosto: De manhã estivemos na igreja em Santos, é muito grande, com 9 altares. Na agência compramos o billet por pessoa por 200 M. E a boa situação no hotel com o velho e a senhorita. Hoje escrevi carta para o Sr. Lenz, tomei cerveja da Alemanha (von Drühen) fui ao navio com um senhor para falar português, pois, ele não sabia.

9 de agosto: De manhã, fomos a dois jardins, belas árvores de todo tipo havia lá, também eram cheio de bancos. A noite, a banda militar sempre tocava nos jardins; muito bonito ao marcharem pelas ruas. Aí há um morro muito alto com uma igreja no topo. É fantástico, eram perto de 50 músicos; 3 a 3 marchavam lado a lado e todos vestidos de branco, meninos dançavam e saltavam pela frente.

10 de agosto: Santos, de manhã fui ao navio e ao correio e me perdi na cidade. Na cama de A. Wild estava pendurado uma ferradura. Às 5 horas da tarde, seguimos com o Petrópolis. À noite ainda houve uma bebedeira no convés intermediário. Lá tomei vinho do Reno, tanto quanto eu quis. Havia um, de nome Katz, que se embebedou. E como nós dormimos nessa noite neste convés intermediário, não esqueço mais.

11 de agosto: Rio, às 12 horas, meio dia, chegamos ao Rio de Janeiro, uma cidade muito grande com um milhão de habitantes, com bondes elétricos morro acima e abaixo. Um morro alto e reto como uma torre. 12 de agosto: partida do Rio, às 11h30min da manhã. Lewermann e sua mulher se beijaram e se abraçaram tanto que não dava mais para agüentar (ver). De manhã, café com oito tipos de pão, ovo estrelado, bife, batata, arroz com leite e açúcar, queijo serrano, cacau, carne fatiada e tudo mais. Aqui no Rio, há um forte natural, com canhões em cima, coisa maravilhosa! Perto de 150 navios estavam ancorados. E esses lindos morros que se vê por aqui! Nosso navio era muito luxuoso, tudo bem instalado, um salão para fumar, e uma sala para senhoras rodeada de sofás, forrados com almofadas, revestidas com Blisch. No meio do salão havia um sofá novo e sobre ele, no meio, um lindo vaso de flor. 4 mesinhas com finas toalhas e sobre estas mais um guardanapo branco e sobre este um cinzeiro de porcelana; 4 cadeiras com parafusos revestidos com Blisch... O assoalho coberto com tapetes coloridos por todo o navio. Finas cortinas, um grande espelho, 2 escrivaninhas e cadeiras preguiçosas.

13 de agosto: Hoje papai já está impaciente e eu também. 14 de agosto: Perto do meio dia me senti tão mal, quase morri, não vomitei. O navio balançava bastante. As ondas batiam até a metade dele. Na noite do dia 13 para o dia 14 sonhei que eu ia ajudar a fazer taipa (muros de pedra, comuns de se encontrar no interior no começo do século passado), mas lá no Roese e por isso trouxera o almoço; quase toda a noite eu estivera em casa. Hoje dormi quase todo o dia.

15 de agosto: Dia santo. De manhã, às 8 horas, chegamos na Bahia, uma grande cidade, localizada em lugar alto e o mar bem abaixo. O badalar dos sinos parecia uma música completa. No navio, havia um português com sua esposa a qual trocava de roupa, às vezes, três vezes por dia, sua mulher sempre em seda e cada vez um outro pregador no peito e brincos. Hábito dos brasileiros ao se retirarem da mesa: "com licença" e os alemães: "Mahlzeit". Na Bahia, veio uma canoa cheia de papagaios a bordo, um se safou da jaula e se escondeu. Foi aquela caçada até encontrá-lo de novo! Partida da Bahia, às 9 horas da noite. Antes da partida, subiu a bordo um bando de cachaceiros e tomaram um barril inteiro de cerveja; era aniversário do capitão. Ele ofereceu vinho do Reno e charutos a 700 réis. Parecia que víamos o Wendelino Hennemann.

16 de agosto: Hoje, vi peixes voadores e uma fina senhora do pastor que gemia muito (enjôos). Papai também teve muito enjôo hoje. 17 de agosto: Perto de Pernambuco vieram e passaram dois navios. De noite, veio um peixe voador a bordo; o primeiro oficial logo o pegou. 18 de agosto: Hoje passamos pela ilha de Fernando de Noronha, para onde são levados os criminosos. A ilha tem rochas tão altas como Torres. Também vi 3 navios. De noite, ouvimos a apresentação de um coral, bem interessante, era o capitão com seu alto falante e seu ajudante.

19 de agosto: Perto do Equador. Exatamente às 12 horas, passamos pela linha do sol, às 4h30min vi um grande navio no mar. 20 de agosto: Mode beim trinken (Modos para beber). Costume ao beber, diz-se "Wohlsein" e "Prost" (saúde) e quando se bebeu faz-se uma inclinação ou se vira o copo da boca para a direita. 21 de agosto: Hoje foi muito quente; eu passei praticamente o dia lendo, estou tão cansado que podia ter dormido sempre. A noite, todos saudaram a lua nova.

22 de agosto: Hoje me barbeei; um calor pavoroso! Hoje choveu pela primeira vez em nossa viagem e, à noite, um calor que não dava para dormir. 23 de agosto: De manhã, café às 9 horas e ainda muito calor. Perto do meio dia, Obst tocava cítara, o Doutor e Archens jogaram algumas moedas, linha, agulha, botões e outras coisas. A gente ficou rindo muito, mas eles continuavam tocando e riam conosco. Também, às vezes, à mesa, tivemos uns ataques de riso, ao ponto de as lágrimas escorrerem pela face, tudo por causa desse senhor Obst.

24 de agosto: Às 10 horas, um navio cruzou por nós. Eu lia e o tempo passava rápido. O navio Petrópolis tem 115 metros de cumprimento. À noite, ensinei o Doutor a dança Maxixe; divertimo-nos muito. Na mesa, a gente se provocava. Se um brindava alguém, ele dizia: "Sine, Sine"; isto quer dizer que o outro não precisa erguer o copo deste, mas deve dizer "obrigado", se não isto é uma ofensa, também pode se dizer: "Prost". Quando a gente se serve mutuamente diz-se "obrigado" e a resposta é: não há de que (Bitte). Das 2 horas da madrugada, ninguém mais conseguiu dormir; cada 5 minutos se apitava para não chocar com outros barcos. Era muito escuro e com serração. Era um rugir assustador; e assim foi até de manhã.

25 de agosto: Hoje estava mais fresco, eu estava com muito sono. 26 de agosto: À tarde, tivemos uma bonita brincadeira com o Sr. Obst. Ele dormia no sofá; o Sr. Arhns e Lodman derramaram-lhe água nos bolsos e o cobriram com toalhas de mesa; sobre o peito botaram um pedaço de madeira e sobre isto um barco de papel. Depois aspergiram-no com um aspersor "Deckt"até ele acordar furioso e ir para sua cabine. Hoje fui ao Deck intermediário, mas quase vomitei devido ao cheiro. Lá havia 5 jovens macacos e 7 papagaios que falavam português, todos os 7 falavam entre si, foi lindo ouvi-los. De noite, até às 11 horas, eu e o capitão fizemos "arte" com a senhora do Pastor (jogo de cartas).

27 de agosto: Hoje papai estava de aniversário. Ele recebeu uma grande cuca, no meio havia um ramalhete. Ao meio dia foi apresentado ou melhor, ele foi saudado com um tríplice "Hohch"! (viva!) e papai serviu três garrafas de vinho do Reno. 28 de agosto: Hoje escrevemos nosso aniversário na carta do Pastor. Fui ver as máquinas do navio. Admirei-me. À noite passou um navio por nós e nos saudou.

29 de agosto: De manhã já se via as aves. De tarde passou por nós um navio, rápido como um raio. Às 6 horas da tarde, chegamos em Lisboa. Uma cidade muito grande e bonita. Vi agora mesmo um exército militar, como os oficiais andavam para lá e para cá dando sinais; às vezes, faziam um ruído continuado, por 5 minutos. Quando o Pastor desembarcou, tivemos mais uma brincadeira. Ele tem muita sorte em toda parte.

30 de agosto: Lisboa. De manhã, às 6 horas. Segue viagem entre duas ilhas. Uma tem 3 mil metros de altura (Berlingen). Hoje, vi um pássaro cansado que queria pousar no barco. Em Lexões, chegamos as 10 horas da noite. Frutas muito lindas vi lá! Uvas, maçãs, peras, pêssegos.

31 de agosto: Lexões: partida às 2 horas da manhã. De noite, passou um navio que parecia uma pequena cidade, depois houve um baile. 1 de setembro: O capitão montou sobre o banco um grande boneco feito com um casacão de mulher. 2 de setembro, domingo: Hoje entramos no Canal Inglês; muita neblina e sempre buzinando, 2 dias e noites. Hoje tive que apresentar um documento de nossa bagagem.

3 de setembro: De manhã, chegamos na costa Franco-Britânica, foi uma vista maravilhosa. Vi agora mesmo um trem entrar num túnel. No navio, Peters fumou em 25 dias 2.000 charutos (Zigarren). Hoje, fomos fotografados. 4 de setembro: Hoje vi um cão marinho e muitos patos selvagens e como os peixe-porco nadavam de fronte ao navio, como vinham e se atiravam na água.

Hoje de manhã, às 4 horas, chegamos em Hamburg. Todos os passageiros foram examinados por causa de doenças. Às 8 horas, embarcamos num barco menor e fomos para o cais e para a Alfândega. Meynberg nos aguardava lá. 6 de setembro: Andamos para Hamburg, na casa de Meynberg e Jacobi e Argentur. 7 de setembro: Hoje de manhã, às 8h50min, fomos à Berlim, vimos a sepultura de Bismark e vimos como eles colhiam batatas. Chegada à Berlim, às 12h30min. Na estação ferroviária em Lehrter. Saída de Berlim às 8h30min da noite. Estivemos na casa de H. Boll e passamos por "unter den Linden", vimos o "Velho Fritz" a cavalo. 8 de setembro: De manhã as 7h15 min chegada em München. De Berlim a München com trem rápido, 720 km. De Hamburgo e Berlim 284 km. Chegamos na estação geral, fomos ao hotel Schweizerhof.

9 de setembro: Hoje estivemos na igreja Nossa Senhora. Uma missa estava sendo cantada com música total. 10 de setembro: Hoje estivemos na Basílica que tem 72 pilares. 11 de setembro: Hoje estivemos na grande loja onde é possível obter de tudo; senão recebe-se 1000 M. 12 de setembro: Hoje escrevi cartão postal para N. Rausch e J. Philipsen e uma carta para H. Lenz.

13 de setembro: Hoje fomos passear no "Augustiner Biergarten" onde há perto de mil mesas redondas com cadeiras. 14 de setembro: Hoje passeando só. 15 de setembro: Hoje estivemos com o Dr. Pr. Henrique Diel, o qual nos serviu fino vinho com pão-de-ló e a mim um fino charuto que o acendeu amigavelmente. 16 de setembro: Hoje passeando só. 17 de setembro: Hoje estivemos com a Irmã Superiora na Clínica.

18 de setembro: Hoje estivemos no cemitério. Recebemos as primeiras cartas de João, José, Grimm e Teresia Lenz. 19 de setembro: Hoje, uma longa conversa W. Lippert no Hotel Badewirt; escrevemos cartas para João, José, P. Spohr e Th. Lenz; ao todo 21 páginas. 20 de setembro: Hoje no hotel Badewirt vimos 2 pessoas que tinham pendurado pelo corpo muito ouro e prata. Escrevemos cartões postais para J. Wickert, José Spohr e P. Scherer.

21 de setembro: Hoje escrevemos cartas para J. Wickert e um cartão para Ch. Dienstmann. Hoje, estivemos no parque e na cantina, uma só medida, gritava a garçonete passando pelo corredor de 275 passos; visitamos D.n.Lahsberg; de noite tomamos banho. 22 de setembro: Hoje compramos aparelhos de barbear no A. Appel; e como tagarelava a mulher dele! 23 de setembro: Hoje P. só dormiu muito.

24 de setembro: Hoje recebemos o primeiro jornal e escrevi uma carta para Lahsberg. Eu vi cavalos que usavam peitorais de modo que só se via ainda a cabeça do cavaleiro. 25 de setembro: Estivemos com o Dr. Sartorius: a consulta custou 3 M. Cartões postais para José Boll Filho, H. Boll: Berlim; Meynberg, F. Altmayer, João Kieling e H. Hennemann. 26 de setembro: Hoje cartas para João, L. Lehnen e M. Lenz

27 de setembro: Hoje escrevi carta para Hugo Metzler. 28 de setembro: Escrevi carta para H. Lenz e estivemos no Campo de Exposições; um macaco manuseava uma espada e uma espingarda e tocava violino como um homem. Até 15 carrosséis com 24 cavalinhos em cada um e no meio um dragão. Um outro carrossel ia tão ligeiro como um trem. Uma roda, na qual as pessoas se sentavam dentro como uma roda de moinho, um tobogã, 2 balanços, circo, teatro a 10 pfennig por entrada, havia de tudo para comer e beber; num só dia, numa cantina de cerveja foram tomados 14.000 litros de cerveja.

29 de setembro: Escrevi cartões postais e estivemos com a superiora. 30 de setembro: Hoje estive na festa, onde havia 30 a 40 mil pessoas e vi cães adestrados. Por toda parte, nas ruas, havia oficiais. a cavalo, para manter a ordem. Tive que pegar bondes para conseguir passar. Visitei H. e Lahsberg e escrevi carta a P. Spohr.

1 de outubro: cartão postal para Fritz, e um roteiro pela perimetral, vi um bonde atropelar uma mulher. Comprei 25 folhas com 25 envelopes a 50 Pfennig. 2 de outubro, passeando só. 3 de outubro: Hoje, recebi cartas de H. Lenz, Sofia, Pedro, Maria, Toni e 2 cartões de F. Altmayer, João Lenz e João Hennemann. Hoje, mudamos para a clínica e enviei cartões para João, F. Altmayer e carta para Jacobi. 4 de outubro: Hoje, fui ao parque de festas e atirei "Cartolen" para baixo: martelei uma cunha e ganhei 3 prêmios.

5 de outubro: Hoje de manhã foi feita a primeira operação. 6 de outubro: O dia inteiro sentado no quarto escuro como na prisão. 7 de outubro: Igualmente sentado no quarto. 8 de outubro: Igualmente sentado no quarto, escrevi um cartão para D. v. Lahsberg e conduzi papai pelo quarto. 9 de outubro: Hoje, fui passear e arrumei as roupas de haviam sido desleixadas; fiz papai caminhar pelo quarto e D. v. Lahsberg nos visitou. 10 de outubro: Hoje cartões para Jacob Philippsen e fui passear. 11 de outubro: Hoje, papai recebeu os óculos azuis.

12 de outubro: Hoje papai tão irrequieto que nada resolvia. 13 de outubro: Hoje, papai ficou com tosse e muita saudade. Escrevi carta para Baetzel, um cartão para J. Spohr e D. v. Lahsberg nos visitou. 14 de outubro: Hoje, papai com 38 graus e meio de febre e a noite 39, o Dr. Pr. Henrique Diel nos visitou com sua família. 15 de outubro: Hoje, fui comprar camisas e escrevi cartões para Carlos e Th. Lenz e um cartão para J. Boll velho.

16 de outubro: Hoje, sem sair do quarto; Papai muito irrequieto. 17 de outubro: Cartões para D. v. Lahsberg e H. Diel e recebi um de Dietrich Freiherr von Lahsberg. 18 de outubro: Hoje, visitei os doentes da III classe. 19 de outubro: carta para Theresa Lenz. 20 de outubro: Hoje, papai foi passear pela primeira vez e escrevi carta para João. Era Kerb aqui e assim estivemos no verão. 21 de outubro: Hoje, papai relativamente bem; dormiu bem, escrevi carta a João Berlitz e depois fui passear com papai. 22 de outubro: Hoje, o Sr. Hofrath abriu o canal lacrimal em Papai e fui passear com papai.

23 de outubro: Hoje, cartão postal para João Streit e o dia inteiro sentado no quarto. 24 de outubro: Escrevi cartões para José Spohr, João Lenz e Rinaldo Lenz e Alberto Spohr e recebi carta de João e Jorge e 3 jornais. Estivemos muito tensos. 25 de outubro: Hoje, foi feita a segunda operação pelo Sr. Hofrath. 26 de outubro: Hoje, a duquesa nos visitou e eu comecei a passar a limpo toda descrição da viagem.

27 de outubro: Hoje, o duque veio para operar e H. Diel nos visitou com sua família. 28 de outubro: Hoje, fui à missa; papai passou a noite gemendo de modo que tive que levantar 8 vezes. 29 de outubro: Hoje, desenfaixaram o olho de papai e, de manhã, marcou zero no termômetro e o velho professor nos visitou. 31 de outubro: Diet von Lahsberg nos visitou. 1 de novembro: dia de Todos os Santos. Hoje, estive na igreja de São Benno; também foi o dia onomástico do Príncipe Regente; por toda parte foram distribuídas bandeirinhas e tocados hinos militares.

2 de novembro: Hoje, havia um canto do coral muito lindo na igreja de S. Benno; o senhor professor nos ensinou algumas artes (o Pastor Kirch, quase Pastor...). 3 de Novembro: Hoje, nos entretemos com o professor e a senhora Wimpfheimer. 4 de novembro: Hoje, onomástico de Papai; as irmãs lhe trouxeram um ramalhete de rosas e o cumprimentaram com uma champanha. Hoje, fui com o professor Goetz ao Museu Nacional; levamos 2 horas para passear o primeiro andar (tem 3 andares). A Irmã Maria nos trouxe música ao quarto; fiquei tocando a tarde inteira. (Uma piada): Um homem foi a casa comercial e queria comprar almofadas com ar (travesseiros) por 5 Thaler; quando a dona da casa o atendeu, ele falou: "eu queria comprar beijos por 5 Thaler (beijos = Küssen; travesseiros = Kissen; diferença i e ü (e a forma de pronúncia); a mulher apresentou-lhe a boca; não, não, disse o homem, lá atrás.

5 de novembro: Hoje, o fato pitoresco com o professor e as irmãs, porque ele teve que se mudar para outro quarto. 6 de novembro: hoje, nada, a não ser adivinhando piadas com o professor e fazendo mágicas com o baralho. 7 de novembro: hoje, cartas para Jacobi e Meynberg e fui à igreja de S. Benno. 8 de novembro: hoje, recebi cartas de José Schmitt e João Hennemann e fui passear. 9 de novembro: hoje, fui ao barbeiro; cabelo e barba por 75 pfennig; recebi carta de Bätzel. Foram três dias de festas, entram e saem de München 168 trens.

10 de novembro: Hoje carta para J. Bätzel e fui passear, comprei camisas. 11 de novembro: hoje, papai, de novo, foi passear. 12 de novembro: chegada do Imperador e da Imperatriz de Berlim, à estação de trem; de ambas as laterais da rua havia tanta gente que a gente quase foi morto. Ao passarem os dois cães foi uma só gargalhada! E como os oficiais mantinham com os cavalos o povo para trás! E como os soldados se encostavam de costas para o povo! E como uma mulher desmaiou ao Imperador passar! E a cavalaria, todos os cavalos iguais! Todos abanavam! E estas belas carruagens nas quais numa estava o Imperador e o Príncipe Regente e na outra a Imperatriz e Princesa Ludwig! E estas belas músicas militares! Sobre os bondes e telhados estava cheio de gente! E nas janelas, até os sétimo e oitavo andares, praticamente um sobre os outros. Todos gritavam: Viva! "Hoch!". Ao passar a Imperatriz, era um só "Ah!!". E ela se inclinava para lá e para cá em saudação.

13 de novembro: Hoje fui ao Marienplatz (Praça de Maria). Nosso potreiro teria enchido de gente um encostado no outro. Os oficiais forçaram o povo para trás com os cavalos. A gente quase era esmagado à morte. Bem em cima, numa torre, uma banda militar tocava. Uma pipa de 100 Hl (hectolitros) foi exposta e todos os clubes de toda Munique se apresentaram. Todas as ruas estavam ornamentadas; um espetáculo! eu só me admirei que tanta gente se reúne. Dançaram a "Schäfflertanz" no alto da torre. De tarde, eu e papai fomos lá na ótica Herkowa, provamos óculos, as ruas ainda estavam cheias e a temperatura era de 3 graus abaixo de zero.

14 de novembro: Hoje recebi a carta de Meynberg e um cartão do professor Hecht, fui passear com papai, com a baronesa e sua filha. No Jud, compramos um sobretudo e bonitas ceroulas. 15 de novembro: Hoje carta para João e José Schmidt e um cartão ao prof. José Hecht em Thüsling em Alloeting; fomos passear e me pesei, peso 75 quilos. 16 de novembro: hoje estivemos na Basílica, ecomendamos 3 santas missas e compramos malas. Recebi carta de João, Pedro, José, Fritz, Wilhelmina e Teresia; compramos "Bonekamp".

17 de novembro: Hoje, carta para Teresia e cartão para N. Rausch. Fui confessar e buscar óculos. 18 de novembro: hoje, comungamos, estivemos no castelo de Nyrnpfenburg e lá me pesei, 77 quilos. Atirei 10 moedas de Pfennig para dentro. Recebi cartas de Jacob Wickert e N. Rausch. Coversamos muito com um catequista, padre secular. 19 de novembro: Hoje, nos despedimos do Duque e fomos ao mar Starnberg e fizemos um cruzeiro no vapor, (por 6 m.), por quase três horas. Preço de trem, 3 m. Em Münchem, partida às 10h40min, chegada a Starnberg, 11h35 min de trem, 28 km.

23 de novembro: Hoje escrevi a Hans von Lahsberg. Arrumamos as malas e concluímos as cartas. Visitamos Dietrich Lahsberg e H. von Lahsberg (Palácio de vidro) 78.000 lâminas de vidro. Comprimento: 233 metros. Um velho senhor de 95 anos foi operado aqui e o sentaram no pátio; ficou curado. 24 de novembro: hoje recebi carta de Meynberg (Hamburg Gr. Reichenstrasse N. 52). Colocamos um anúncio de agradecimento no jornal, recebemos os óculos; um cartão postal de J. von Lahsberg (Sofienstrasse N. 6). Hoje, empacotamos tudo e estivemos na Redação (Judeus) e não aceitaram (não receberam).

25 de novembro: Hoje, dia de despedida. As irmãs nos penduraram uma placa na lâmpada com "viva aos que partem!" e com cuca ao café da manhã. Hoje, cartas para Meynberg e F. H. von Lahsberg. Hoje, partimos da clínica; choramos junto com as irmãs. Saída de München, às 12h55min, em Ulm, 3h e, em Stuttgart, 4h38min. O senhor Hertkorn nos acompanhou até o trem. Pelo caminho, vimos muitas belas montanhas e em ambos os lados dos trilhos, um muro tão alto quanto a torre de nossa igreja; passamos por um túnel, tão escuro que não se via mais nada no trem. Em Stuttgart fomos ao hotel Marguard (de primeira grandeza) e pagamos pelo quarto de duas camas, garrafa do Porto e Pollion, com 3 ovos e 6 ovos estrelados e chá.

26 de novembro: Hoje, fizemos um roteiro de bonde por Stuttgart; era uma paisagem muito linda; morros lindos, todos com construções. Em Stuttgart, estação central, tomamos café e partimos às 12h43min. Em Heidelberg, às 3h10min da estação central, fomos ao hotel Heidelberger Hof. Pelo caminho, passamos por um longo túnel de trem. Em Stuttgart, vimos a residência (Palácio) dos Württenberg; na estação férrea de Stuttgart papai se pesou (70 kg). A quantidade de carros que havia lá! Um charuto, um bilhete, um lance (jogo), somente 10 pfennig.

Stuttgart-Heidelberg, preço para duas pessoas 11,20. Hoje estivemos no castelo de Heidelberg. Vimos a pipa que contém 300.000 garrafas e em cima dela ainda tem um salão de baile. Vimos a torre e a bela vista da cidade no vale; passamos por 2 pontes compridas pelo Neckarsee, de carruagem por 4,00 Mark. Em Stuttgart escrevi uma carta e um cartão para o Duque (Herzog), para João Hennemann e uma carta à Irmã Superiora. Nos 53 dias na clínica, foram feitas 60 operações de catarata e 90 outras operações.

27 de novembro: Saída de Heidelberg, às 10h para Darmstadt, lá chegamos às 11h15min. Em Darmstadt, assistimos o concerto dos sinos, fizemos um roteiro com o bonde, andamos pela chuva, tomamos café na estação de trem e lá tem 8 Hennemann e 15 de nome Eberhart. Partimos de Darmstadt às 14, horas passando duas vezes por um túnel e por uma ponte sobre o Reno. Chegamos a Mainz às 2h17min. Fomos ao hotel Bingerhof. Fizemos um roteiro (passeio motorizado), estivemos na catedral e escrevemos um cartão postal a Pedro Hennemann.

28 de novembro: Hoje estivemos em Wiesbaden, meia hora de Mainz de bonde. Passamos pelo Reno por uma longa ponte. Em Wiesbaden, visitamos o Sr. João Baetzel e esposa. Hospedou-nos gratuitamente, conduziu-nos por Wiesbaden. Tomamos águas minerais mornas; por toda parte nas ruas saia vapor; água sai fervendo da terra. Vimos o portão Romano (Arco); é muito bonito em Wiesbaden. Está cheio de pontes. Vias férreas por baixo e por cima da terra. De noite, em Mainz Rüdesheim, tomamos a 3,00 a garrafa. Hoje, escrevemos cartão postal a Jacob Hennemann de Lajeado.

29 de novembro: Hoje partimos de Mainz para Frankfurt às 10 horas. Lá chegamos às 11h15min, com trem comum. Fizemos um roteiro e compramos cartões postais; almoçamos na ferroviária e às 12h40min voltamos para Mainz.

30 de novembro: Partimos de Mainz por bonde para Castel e de lá, de trem descendo pela margem do Reno para Coblenz. Saída de Castel às 9h36min. Chegada em Coblenz, 12h45min. Preço de Castel a Coblenz para duas pessoas, 7,60. Foi muito interessante margear o Reno. Os parreirais e rochedos! Castelos e pontes! Túneis e muros! Um espetáculo! Em Coblenz, fazemos um passeio de carruagem beirando o Reno, próximo ao monumento do imperador Guilherme (Wilhelm), passando pela ponte sobre o rio Mosel. Vimos a "Germania" e compramos cartões postais. Hotel em Coblenz, quarto com 2 camas e café 4,00. Refeição com sobremesa a 1,50. Tomamos um vinho muito bom (ürzüger) a 2,00 a garrafa.

1° de dezembro: Partida de Coblenz para Merl (Bullay), estação central, às 11h05min, chegada em Bullay, às 12h20min, saída de Bullay às 12h55min. Para Merl, onde chegamos à 1h05min, preço para duas pessoas, 40 Pfennig. Julius Treis já estava em Bullay; ele nos observava, mas não nos conhecia, nem nós a ele. Primeiro, fomos para o Jorge Treis, recebemos logo almoço, café e vinho do Reno. De noite, dormimos na casa das duas irmãs de Treis; Pedro Steffens e esposa e Alois Treis vieram de noite, e assim conversamos até às 12 horas e bebíamos. Camas muito boas tivemos; a minha foi a mais fina.

2 de dezembro: Levantamos às 9h, eles haviam limpado nossas botinas e fomos juntos à igreja. De tarde, Julius e eu fomos para Cochem e Bremm para a sua namorada e tio Bodenbach; lá fomos servidos muito bem, de novo muito vinho e pão de ló, cuca, depois fomos ao monte do castelo. À noite, todos tomamos vinho no Hotel Schloss (Hotel do castelo). Escrevemos 4 cartões. Depois, jantamos de novo na casa de Bodenbach e tomamos muito vinho e, depois, fomos às 10 horas, para Bremm, mas andamos ainda 40 minutos, 2 a 2, a pé. Lá, tomamos de novo vinho até às 12h. Assim chegamos em casa a 1h30min, mas de Bullay a Merl, meia hora a pé e sempre com nevoeiro e o tempo muito sujo.

3 de dezembro: Às 9h30min de Merl para Bullay e daí as 10h para Coblenz e daí às 11h30min para Köln, onde chegamos às 12h30min. Aqui, no hotel Harty, quarto com 2 camas por 6 marcos. Primeiro fomos à catedral, por dentro 56 metros de altura, 104 pilares, cabem 25.000 pessoas, 532 pés de cumprimento, igual à altura da torre, uma janela custa 90.000 marcos. Depois, fizemos um cruzeiro pela cidade de carruagem a 2,00 por hora. Em Mainz, escrevi cartões para Rausch em português.

4 de dezembro: partida de Köln, às 7h04min. Chegada em Hamburg às 2h30min. Trem rápido por Münster, Düsseldorf, Hamburg. Em Hamburg, fomos logo à casa de Schumann, ao nosso quarto e, depois, à casa de Jacobi. Papai caiu do bonde. Nos Jacobi recebemos cartas de Carlos, João, Pedro, Fritz, Sofia, Paulina, 2 de Teresia Lenz e cartões de Carlos Rausch, M. Grimm, Pedro Scherer, Carlos Scherer, e 2 jornais e os óculos de Theodor Hoertkorn e receitas. Preço de Köln a Hamburgo para duas pessoas na terceira classe do trem rápido: 43,20. O túnel mais longo que passamos é de 8 minutos de trem rápido no rio Mosel.

5 de dezembro, fizemos compras. 6 de dezembro: Também fizemos compras e estivemos com Th. Meynberg, Gr. Reichenstr. Nr. 52; e com Wilhelm Weber, grosse Burstah 21. Fabricante grande depósito em Maffin, Wessern, Tischgestier. 7 de dezembro: fizemos compras. 8 de dezembro: Hoje estivemos na igreja de São Miguel e na agência e com os Meynberg, fiz a barba e comprei uma mala, andamos por aí por causa da máquina de costura, 3 vezes fomos à casa de Jacobi a pé, compramos camisas (à 2,85 duas dúzias 68,40) Na Geb. Behr 1 dúzia de cervejas (Helle) à 2,40 = 28,80 e a mala a 26,00 marcos.