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Segunda carta de Philipp Elicker

São Leopoldo, 25 de março de 1845

Caríssimo irmão Johann Georg Elicker:


Eu já escrevi, mas acho que não recebeste a carta. Por isso quero aproveitar a oportunidade e te dar uma visão geral da minha existência e do meu bem-estar.

Desejo que esta te encontre com boa saúde. Graças a Deus, eu estou ainda com saúde, como também os demais amigos, com exceção de Georg Jakob Fuchs, cuja Katharina faleceu no ano passado. Minha mulher morreu no mar e minha filha morreu na viagem do Rio de Janeiro para esta colônia. A outra filha morreu antes de minha mulher, no mar. Então casei novamente aqui na colônia com uma viúva que tinha três filhas. Vivi com ela durante 11 anos e não tive herdeiros. No ano de 1844 ela adormeceu no Senhor. Agora sou novamente viúvo e sem herdeiros.

Sustento-me da minha profissão e tenho, de ano a ano, trabalho rendoso e contínuo. Vivo bastante satisfeito e tenho meu sustento com pouco trabalho. A tecelagem é feita só com algodão.

Pelos contratempos da guerra, nós sofremos muitas necessidades, mas agora, com a paz, a tranqüilidade foi completamente restabelecida.

Atualmente estão sendo admitidos novos colonos. Eles recebem 300 Morgen (24 hectares) de mato e em dinheiro ganham 5 táleres espanhóis por mês. Nós vivemos aqui cercados pelo eterno verde-louro, que nos dá descanso e tratamento, e desejamos que todos vivam tão felizes como nós.

Novamente, que Deus te abençoe e saudações a todos os amigos e conhecidos que perguntarem por mim.
Teu irmão,

Philipp Elicker.


Mande-me novamente uma carta de volta, com o Philipp Klein de Birkenfeld, Quando escreveres, põe o endereço:
Império do Brasil
Província de São Pedro do Sul
Porto Alegre
Colônia de São Leopoldo
Para Philipp Elicker, antes de Campo Bom.